{"id":2643,"date":"2024-02-25T20:48:33","date_gmt":"2024-02-25T20:48:33","guid":{"rendered":"https:\/\/revisaonews.com.br\/?p=2643"},"modified":"2024-02-25T20:48:34","modified_gmt":"2024-02-25T20:48:34","slug":"brasil-tem-aumento-da-taxa-de-suicidio-entre-crianca-e-jovem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revisaonews.com.br\/?p=2643","title":{"rendered":"Brasil tem aumento da taxa de suic\u00eddio entre crian\u00e7a e jovem"},"content":{"rendered":"\n<p>A taxa de suic\u00eddio entre jovens cresceu 6% por ano no Brasil entre 2011 a 2022, enquanto as taxas de notifica\u00e7\u00f5es por autoles\u00f5es na faixa et\u00e1ria de 10 a 24 anos de idade evolu\u00edram 29% ao ano no mesmo per\u00edodo. Os n\u00fameros apurados superam os registrados na popula\u00e7\u00e3o em geral, cuja taxa de suic\u00eddio apresentou crescimento m\u00e9dio de 3,7% ao ano e de autoles\u00e3o de 21% ao ano, no per\u00edodo analisado.<br>Os resultados foram apurados na an\u00e1lise de quase 1 milh\u00e3o de dados pelo Centro de Integra\u00e7\u00e3o de Dados e Conhecimentos para Sa\u00fade (Cidacs) da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz Bahia), em colabora\u00e7\u00e3o com pesquisadores de Harvard, e constam de estudo rec\u00e9m-publicado na revista The Lancet Regional Health \u2013 Americas. Para chegar \u00e0s conclus\u00f5es, a equipe analisou dados do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade (SIM), do Sistema de Informa\u00e7\u00f5es Hospitalares (SIH) e do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (Sinan), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<br>A pesquisadora do Cidacs\/Fiocruz e l\u00edder da investiga\u00e7\u00e3o, Fl\u00e1via J\u00f4se Alves, verificou que as taxas de notifica\u00e7\u00e3o por autoles\u00f5es aumentaram de forma consistente em todas as regi\u00f5es do Brasil no per\u00edodo citado. \u201cIsso tamb\u00e9m aconteceu com o registro geral de suic\u00eddios, que teve um crescimento m\u00e9dio de 3,7% ao ano\u201d, explica Fl\u00e1via.<br>Ra\u00e7a e etnia<br>Apesar da redu\u00e7\u00e3o de 36% no n\u00famero de suic\u00eddios em escala global, as Am\u00e9ricas fizeram o caminho inverso, apontou Fl\u00e1via. No per\u00edodo compreendido entre 2000 e 2019, a regi\u00e3o teve aumento de 17% nos casos, enquanto, no Brasil, o n\u00famero subiu 43%. Em rela\u00e7\u00e3o aos casos de autoles\u00f5es no Brasil, a pesquisa do Cidacs\/Fiocruz constatou que, em 2022, houve aumento das taxas de notifica\u00e7\u00e3o em grupos de todas as faixas et\u00e1rias, desde os 10 anos at\u00e9 maiores de 60 anos de idade.<br>A pesquisa avaliou tamb\u00e9m os n\u00fameros de suic\u00eddios e autoles\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ra\u00e7a e etnia no pa\u00eds de 2000 a 2019. Enquanto h\u00e1 um aumento anual das taxas de notifica\u00e7\u00e3o por essas les\u00f5es autoprovocadas em todas as categorias analisadas, incluindo ind\u00edgenas, pardos, descendentes de asi\u00e1ticos, negros e brancos, o n\u00famero de notifica\u00e7\u00f5es \u00e9 maior entre a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, com mais de 100 casos a cada 100 mil pessoas.<br>Embora tenha apresentado maior n\u00famero de notifica\u00e7\u00f5es, a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena mostrou menores taxas de hospitaliza\u00e7\u00e3o, apontou a pesquisadora. \u201cEsse \u00e9 um ind\u00edcio forte de que existem barreiras no acesso que essa popula\u00e7\u00e3o tem aos servi\u00e7os de urg\u00eancia e emerg\u00eancia. Existem diferen\u00e7as entre a demanda de leitos nos hospitais e quem realmente consegue acess\u00e1-los, e isso pode resultar em atrasos nas interven\u00e7\u00f5es\u201d, segundo Fl\u00e1via.<br>Covid-19<br>O estudo confirma que durante a pandemia da covid-19, aumentaram as discuss\u00f5es sobre transtornos mentais como ansiedade e depress\u00e3o, decorrentes da mudan\u00e7a da din\u00e2mica nas rela\u00e7\u00f5es sociais. Por\u00e9m, de acordo com Fl\u00e1via J\u00f4se, o registro de suic\u00eddios permaneceu com tend\u00eancia crescente ao longo do tempo, sem altera\u00e7\u00e3o no per\u00edodo da pandemia. \u201cOutras pesquisas j\u00e1 relataram que as taxas de suic\u00eddio no per\u00edodo se mantiveram est\u00e1veis. O principal aqui \u00e9 que, independentemente da pandemia, o aumento das taxas foi persistente ao longo do tempo\u201d, explicou.<br>De acordo com os pesquisadores do Cidacs\/Fiocruz Bahia, ter dados de qualidade dispon\u00edveis \u00e9 uma estrat\u00e9gia importante de preven\u00e7\u00e3o e monitoramento do suic\u00eddio, apesar de o acesso a esses dados ainda ser um problema grande no mundo todo, seja por estigma ou por quest\u00f5es legais: \u201cO Brasil sai na frente nesse sentido, porque tem tr\u00eas diferentes bases de dados com essas informa\u00e7\u00f5es e elas podem ser usadas para revelar evid\u00eancias que a gente pode n\u00e3o ver ao analisar um banco \u00fanico\u201d, disse Fl\u00e1via.<br>Estudos anteriores do Cidacs\/Fiocruz j\u00e1 associaram o aumento do n\u00famero de suic\u00eddios com o aumento das desigualdades sociais e da pobreza e com o crescimento da preval\u00eancia de transtornos mentais, que causam impacto direto nos servi\u00e7os de sa\u00fade, al\u00e9m de relatar as varia\u00e7\u00f5es nas taxas em rela\u00e7\u00e3o a cada regi\u00e3o. Segundo Fl\u00e1via, o estudo atual enfatizou a import\u00e2ncia de mais pol\u00edticas e interven\u00e7\u00f5es: \u201cEstamos refor\u00e7ando a necessidade de mais estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio ao trazermos estes resultados\u201d, sustentou.<br>Alarme<br>A psiquiatra Alessandra Diehl, membro do Conselho Consultivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos do \u00c1lcool e Outras Drogas (Abead), v\u00ea com bastante preocupa\u00e7\u00e3o o resultado do estudo do Cidacs\/Fiocruz Bahia. \u201cS\u00e3o dados alarmantes que v\u00e3o sinalizando que essa popula\u00e7\u00e3o (crian\u00e7as e jovens) \u00e9 de fato mais vulner\u00e1vel a transtornos psiqui\u00e1tricos e, entre eles, o espectro da automutila\u00e7\u00e3o e o sintoma de suic\u00eddio dentro de v\u00e1rios quadros psiqui\u00e1tricos\u201d, comentou a doutora Alessandra na quarta-feira (21), em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia Brasil.<br>Avaliou que isso tem um reflexo multifatorial. \u201cAcho que um deles, muito preocupante nesse cen\u00e1rio, \u00e9 que, apesar dessas estat\u00edsticas imensas, n\u00f3s n\u00e3o temos hoje, no Brasil, na rede p\u00fablica principalmente, servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o mais capilarizados para a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia\u201d. Admitiu que existem iniciativas em todo o pa\u00eds, mas acredita que a sa\u00fade mental do adolescente e da crian\u00e7a ainda est\u00e1 sendo negligenciada.<br>Segundo Alessandra Diehl, existe um estigma de que as crian\u00e7as est\u00e3o sendo \u201cpsiquiatrizadas\u201d. \u201cEu acredito que, se a gente pudesse ofertar tratamento de uma forma mais precoce, a gente minimizaria essas estat\u00edsticas\u201d. Na opini\u00e3o da psiquiatra, esse \u00e9 o grande \u201cpulo do gato\u201d, envolvendo tratamento precoce e, principalmente, medidas preventivas, que \u201cs\u00e3o salutares, necess\u00e1rias e urgentes para essa popula\u00e7\u00e3o\u201d. Em rela\u00e7\u00e3o aos adolescentes, em especial, Alessandra chamou a aten\u00e7\u00e3o que, na fase de transi\u00e7\u00e3o da sexualidade, enfrentam mudan\u00e7as que podem levar tamb\u00e9m ao uso de \u00e1lcool e drogas, o que requer o olhar atento dos pais e da sociedade.<br>Informa\u00e7\u00e3o<br>Para a psic\u00f3loga Paula Zanelatto, que atua em projeto na Rocinha procura estimular o debate sobre o suic\u00eddio entre jovens da comunidade, como forma de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade mental, afirmou \u00e0 Ag\u00eancia Brasil que, de modo geral, h\u00e1 fatores de risco que influenciam bastante crian\u00e7as e adolescentes na quest\u00e3o do suic\u00eddio. Entre eles, citou o isolamento; o tabu de conversar sobre o assunto, \u201ccomo se falar sobre isso fosse gerar mais vontade de fazer. Escutando tanto as fam\u00edlias como os jovens, eu acredito que tem esse inconsciente coletivo de que falar influencia, o que \u00e9 muito pelo contr\u00e1rio. \u00c9 tabu\u201d. Outros fatores incluem o bullying, casos de viol\u00eancia sexual e dom\u00e9stica. \u201cTem diversos fatores que v\u00e3o influenciar para esse \u00edndice crescente do suic\u00eddio ou da tentativa de suic\u00eddio\u201d.<br>Paula explicou que a principal raz\u00e3o diagn\u00f3stica que leva ao suic\u00eddio \u00e9 o transtorno de humor, traduzido por bilaporidade ou depress\u00e3o. Informou que 35% das pessoas que tentam o suic\u00eddio t\u00eam algum tipo de transtorno de humor. A\u00ed se encaixa o borderline, que \u00e9 um transtorno mental grave, caracterizado por um padr\u00e3o de instabilidade cont\u00ednua no humor, em que um dos crit\u00e9rios de diagn\u00f3stico s\u00e3o as autoles\u00f5es, ou cortes, muito fortes entre os jovens. \u201cEles relatam para mim que marcar o corpo ou cortar o corpo \u00e9 uma forma de aliviar a dor\u201d. N\u00e3o se trata, por\u00e9m, de uma dor f\u00edsica, mas de uma dor emocional. \u201c\u00c9 uma ang\u00fastia que eles n\u00e3o sabem definir de onde vem. Eles n\u00e3o conseguem dar nome a essa ang\u00fastia ou a esse vazio enorme\u201d.<br>O trabalho na Rocinha resulta de parceria entre a Cl\u00ednica Jorge Jaber e a Associa\u00e7\u00e3o Sociocultural Semearte, que promove teatro e dan\u00e7a na regi\u00e3o, e envolve cerca de 140 alunos na faixa et\u00e1ria de 13 a 22 anos que participam de encontros com profissionais da \u00e1rea de psiquiatria, englobando palestras, rodas de conversa e arte. Paula Zanelatto informou que, na verdade, o projeto fala de preven\u00e7\u00e3o ao suic\u00eddio. \u201cPara mim, a grande forma de ajudar \u00e9 levando informa\u00e7\u00e3o, fazendo palestras, rodas de conversa, conversando sobre o assunto, desmistificando esse assunto. E, com isso, abrindo um canal para que eles (crian\u00e7as e jovens) possam falar sobre (o suic\u00eddio), tirar d\u00favidas e pedir ajuda\u201d. Cerca de 70 alunos do Semearte j\u00e1 se tornaram multiplicadores das informa\u00e7\u00f5es sobre o suic\u00eddio.<br>Paula afirmou que suic\u00eddio, ou tentativa de suic\u00eddio, \u00e9 uma doen\u00e7a. \u201cN\u00e3o \u00e9 frescura, n\u00e3o passa sozinho e \u00e9 classificado em todo o mundo como uma doen\u00e7a. Quando voc\u00ea leva essa informa\u00e7\u00e3o para o jovem, voc\u00ea come\u00e7a a abrir a sua mente\u201d. O projeto da Rocinha ser\u00e1 apresentado em Budapeste, na Hungria, em abril deste ano, durante o 32\u00ba Congresso Europeu de Psiquiatria.<br>Ajuda<br>Formado exclusivamente por volunt\u00e1rios, o Centro de Valoriza\u00e7\u00e3o da Vida (CVV) oferece apoio emocional e preven\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio gratuitamente. A pessoa que procura o CVV porque est\u00e1 se sentindo solit\u00e1rio pode conversar de forma sigilosa, sem julgamentos, cr\u00edticas ou compara\u00e7\u00f5es com os volunt\u00e1rios da institui\u00e7\u00e3o, que atua em todo pa\u00eds. O atendimento \u00e9 realizado pelo telefone 188 (24 horas por dia e sem custo de liga\u00e7\u00e3o) e pelo chat nos seguintes dias e hor\u00e1rios: domingos, de 17h \u00e0 1h; de segunda a quinta-feira, de 9h \u00e0 1h; na sexta-feira, de 15h \u00e0s 23h; e nos s\u00e1bados, de 16h \u00e0 1h.<br>Outros canais receber aten\u00e7\u00e3o e aux\u00edlio s\u00e3o o Mapa da Sa\u00fade Mental, que traz uma lista de locais de atendimento volunt\u00e1rio online e presencial em todo pa\u00eds, e o Pode Falar, canal lan\u00e7ado pelo Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Inf\u00e2ncia (Unicef) de ajuda em sa\u00fade mental para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. Funciona de forma an\u00f4nima e gratuita, indicando materiais de apoio e servi\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte Terra<\/p>\n\n\n\n<p>Foto Marcelo Camargo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A taxa de suic\u00eddio entre jovens cresceu 6% por ano no Brasil entre 2011 a 2022, enquanto as taxas de notifica\u00e7\u00f5es por autoles\u00f5es na faixa et\u00e1ria de 10 a 24 anos de idade evolu\u00edram 29% ao ano no mesmo per\u00edodo. 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