{"id":4633,"date":"2024-07-24T09:52:08","date_gmt":"2024-07-24T09:52:08","guid":{"rendered":"https:\/\/revisaonews.com.br\/?p=4633"},"modified":"2024-07-24T09:52:44","modified_gmt":"2024-07-24T09:52:44","slug":"4633","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revisaonews.com.br\/?p=4633","title":{"rendered":"Frequ\u00eancia com que voc\u00ea faz coc\u00f4 influencia na sa\u00fade, aponta estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>A frequ\u00eancia com que voc\u00ea evacua pode influenciar mais do que apenas se voc\u00ea est\u00e1 desconfortavelmente inchado. Esse n\u00famero tamb\u00e9m pode afetar seu microbioma intestinal e o risco de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, segundo um novo estudo.<br>Bact\u00e9rias intestinais que digerem fibras, por exemplo, parecem prosperar em participantes que evacuam uma ou duas vezes por dia, de acordo com o estudo publicado na segunda-feira (22) na revista Cell Reports Medicine. Mas as bact\u00e9rias associadas ao trato gastrointestinal superior ou \u00e0 fermenta\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas foram enriquecidas naqueles com diarreia ou constipa\u00e7\u00e3o, respectivamente.<br>Os autores tamb\u00e9m descobriram que pessoas mais jovens, mulheres e participantes com \u00edndice de massa corporal mais baixo tinham evacua\u00e7\u00f5es menos frequentes.<br>Fazer coc\u00f4 apenas a cada 3 ou mais dias est\u00e1 relacionado ao decl\u00ednio cognitivo, aponta pesquisa<br>\u201cMuitas pessoas com doen\u00e7as cr\u00f4nicas, incluindo Parkinson e doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, relatam ter tido constipa\u00e7\u00e3o por anos antes do diagn\u00f3stico\u201d, diz o autor s\u00eanior do estudo, Sean Gibbons, que perdeu membros da fam\u00edlia devido ao Parkinson.<br>\u201cNo entanto, n\u00e3o est\u00e1 claro se essas aberra\u00e7\u00f5es na frequ\u00eancia das evacua\u00e7\u00f5es s\u00e3o causadoras da doen\u00e7a ou simplesmente uma consequ\u00eancia da doen\u00e7a\u201d, acrescenta Gibbons, professor associado do Institute for Systems Biology em Seattle, por e-mail.<br>Essa quest\u00e3o \u00e9 o que motivou os pesquisadores a estudar as associa\u00e7\u00f5es entre a frequ\u00eancia das evacua\u00e7\u00f5es e a gen\u00e9tica, o microbioma intestinal, as qu\u00edmicas do plasma sangu\u00edneo e os metab\u00f3litos sangu\u00edneos \u2014 pequenas mol\u00e9culas que s\u00e3o participantes e produtos do metabolismo \u2014 para avaliar se o padr\u00e3o pode estar afetando negativamente o corpo antes de um diagn\u00f3stico de doen\u00e7a, diz Gibbons.<br>Os autores examinaram os dados de sa\u00fade e estilo de vida de mais de 1.400 adultos saud\u00e1veis que participaram de um programa de bem-estar cient\u00edfico na Arivale, uma empresa de sa\u00fade do consumidor que operou de 2015 a 2019 em Seattle. Os participantes, dos quais quase 83% eram brancos, responderam a question\u00e1rios e consentiram em fornecer amostras de sangue e fezes.<br>A frequ\u00eancia das evacua\u00e7\u00f5es auto-relatada foi separada em quatro grupos: constipa\u00e7\u00e3o (uma ou duas evacua\u00e7\u00f5es por semana), normal baixa (tr\u00eas a seis por semana), normal alta (uma a tr\u00eas por dia) e diarreia.<br>Os autores tamb\u00e9m descobriram que v\u00e1rios metab\u00f3litos sangu\u00edneos e qu\u00edmicas do plasma sangu\u00edneo estavam ligados a diferentes frequ\u00eancias. Subprodutos da fermenta\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas, como sulfato de p-cresol e sulfato de indoxil, conhecidos por causar danos aos rins, foram enriquecidos em participantes constipados. Os n\u00edveis sangu\u00edneos de sulfato de indoxil tamb\u00e9m foram associados \u00e0 fun\u00e7\u00e3o renal reduzida. As qu\u00edmicas ligadas a danos hep\u00e1ticos foram mais altas em pessoas com diarreia, que tamb\u00e9m tinham mais inflama\u00e7\u00e3o.<br>Os autores acreditam que suas descobertas s\u00e3o \u201capoio preliminar para uma liga\u00e7\u00e3o causal entre a frequ\u00eancia das evacua\u00e7\u00f5es, o metabolismo microbiano intestinal e os danos aos \u00f3rg\u00e3os\u201d, de acordo com comunicado \u00e0 imprensa.<br>\u201cO que me entusiasma neste estudo \u00e9 que h\u00e1 muito tempo sabemos sobre uma conex\u00e3o entre constipa\u00e7\u00e3o e doen\u00e7a renal cr\u00f4nica, mas os mecanismos potenciais nunca foram bem compreendidos\u201d, afirma Kyle Staller, diretor do Laborat\u00f3rio de Motilidade Gastrointestinal no Massachusetts General Hospital e professor associado de medicina na Harvard Medical School, por e-mail.<br>\u201cEste estudo fornece um caminho pelo qual futuros estudos poderiam investigar essa conex\u00e3o ao longo do tempo\u2026 para saber se pessoas com baixa frequ\u00eancia de evacua\u00e7\u00f5es produzem mais metab\u00f3litos potencialmente t\u00f3xicos e, subsequentemente, desenvolvem doen\u00e7a renal\u201d, acrescenta Staller, que n\u00e3o participou do estudo.<br>Entendendo a sa\u00fade intestinal<br>\u201cExistem algumas limita\u00e7\u00f5es importantes aqui que tornam as descobertas menos traduz\u00edveis para a pessoa m\u00e9dia\u201d, diz Staller, incluindo que o estudo n\u00e3o prova uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito. Os dados resultam de participantes estudados em um \u00fanico momento, ent\u00e3o outros fatores podem estar em jogo. Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que o microbioma intestinal de uma pessoa possa estar influenciando a frequ\u00eancia das evacua\u00e7\u00f5es.<br>A frequ\u00eancia das evacua\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 a medida mais ideal da fun\u00e7\u00e3o intestinal, diz.<br>\u201cSabemos que a frequ\u00eancia normal das evacua\u00e7\u00f5es varia de (tr\u00eas) evacua\u00e7\u00f5es por semana a (tr\u00eas) evacua\u00e7\u00f5es por dia, mas a melhor medida de qu\u00e3o r\u00e1pido as coisas est\u00e3o se movendo pelo nosso intestino \u00e9 a forma das fezes\u201d, acrescenta Staller. \u201cOu seja, quando as fezes s\u00e3o mais duras, elas ficaram no c\u00f3lon por mais tempo \u2014 o que chamamos de tempo de tr\u00e2nsito mais longo.<br>\u201cQuando as fezes s\u00e3o mais macias, o oposto \u00e9 verdadeiro. Assim, uma medida mais ideal da fun\u00e7\u00e3o intestinal seria a consist\u00eancia das fezes em vez da frequ\u00eancia.\u201d<br>Al\u00e9m disso, muitas das descobertas s\u00e3o baseadas no grupo com frequ\u00eancia normal a baixa de evacua\u00e7\u00f5es \u2014 tr\u00eas a seis vezes por semana \u2014 com poucas derivadas daqueles que estavam constipados ou tinham diarreia, segundo os especialistas.<br>\u201cIdealmente, ver\u00edamos um tipo de \u2018rela\u00e7\u00e3o dose-resposta\u2019, onde quanto pior a constipa\u00e7\u00e3o, pior a fun\u00e7\u00e3o renal e maior o n\u00famero desses metab\u00f3litos potencialmente prejudiciais no sangue como um marcador.\u201d<br>Al\u00e9m disso, as esp\u00e9cies bacterianas nas fezes dos participantes foram detectadas por um tipo de tecnologia que indica apenas um grupo maior, ou g\u00eanero, ao qual as bact\u00e9rias pertencem, em vez de esp\u00e9cies espec\u00edficas \u2014 que poderiam ter efeitos diferentes, mesmo sendo do mesmo grupo, acrescentam os especialistas.<br>Participantes com frequ\u00eancia de evacua\u00e7\u00f5es geralmente normal tamb\u00e9m tinham diferen\u00e7as importantes no estilo de vida, como consumir mais frutas e vegetais, estar mais hidratados e praticar mais exerc\u00edcios, doz Rena Yadlapati, professora da divis\u00e3o de gastroenterologia da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego, que n\u00e3o participou do estudo.<br>Sobre os processos potenciais por tr\u00e1s da hip\u00f3tese dos autores, \u201ctrabalhos anteriores estabeleceram que os micr\u00f3bios intestinais passam por uma mudan\u00e7a entre a fermenta\u00e7\u00e3o de fibras e prote\u00ednas, dependendo do tempo de tr\u00e2nsito intestinal\u201d, diz Gibbons por e-mail. \u201cDurante os tempos de tr\u00e2nsito normais (frequ\u00eancia normal das evacua\u00e7\u00f5es), os micr\u00f3bios intestinais fermentam fibras diet\u00e9ticas em \u00e1cidos org\u00e2nicos saud\u00e1veis que mant\u00eam a homeostase intestinal.<br>\u201cNo entanto, se as fezes permanecem no intestino por muito tempo (constipa\u00e7\u00e3o), os micr\u00f3bios come\u00e7am a ficar sem fibras e passam a fermentar prote\u00ednas (e comer nossa camada de muco, que tamb\u00e9m \u00e9 rica em prote\u00ednas)\u201d, acrescenta Gibbons. \u201cA fermenta\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas no intestino d\u00e1 origem a esses compostos t\u00f3xicos que s\u00e3o encontrados no sangue.\u201d<br>Considerando tudo, Staller n\u00e3o acha que algu\u00e9m deva ver as descobertas como uma raz\u00e3o para se preocupar com a rapidez com que seu intestino est\u00e1 funcionando. \u201cMuitos dos dados s\u00e3o derivados de pessoas que n\u00f3s, m\u00e9dicos, considerar\u00edamos normais, e n\u00e3o h\u00e1 indiv\u00edduos verdadeiramente constipados em quantidade suficiente para que possamos tirar conclus\u00f5es definitivas\u201d, diz.<br>O que \u00e9 mais importante, segundo Staller, \u00e9 o fato de que o estudo reafirmou a capacidade dos fatores diet\u00e9ticos de tamb\u00e9m afetar a fun\u00e7\u00e3o intestinal.<br>A compreens\u00e3o dos especialistas sobre as intera\u00e7\u00f5es entre as bact\u00e9rias residentes no intestino e as fun\u00e7\u00f5es corporais \u201cest\u00e1 crescendo a passos largos diariamente\u201d, diz.<br>\u201cNo entanto, qualquer tentativa de simplificar esse conhecimento para cultivar o \u2018microbioma intestinal ideal\u2019 est\u00e1 distante\u201d, acrescenta. \u201cNosso conhecimento nessa \u00e1rea \u00e9 muito subdesenvolvido para fazer mudan\u00e7as dr\u00e1sticas em nossas vidas com base nos achados de um estudo como este ainda.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte CNN Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Foto  Kinga Krzeminska\/GettyImages<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A frequ\u00eancia com que voc\u00ea evacua pode influenciar mais do que apenas se voc\u00ea est\u00e1 desconfortavelmente inchado. 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