{"id":8377,"date":"2026-03-02T22:52:03","date_gmt":"2026-03-02T22:52:03","guid":{"rendered":"https:\/\/revisaonews.com.br\/?p=8377"},"modified":"2026-03-02T22:52:15","modified_gmt":"2026-03-02T22:52:15","slug":"numero-de-vitimas-de-feminicidio-cresce-em-38-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revisaonews.com.br\/?p=8377","title":{"rendered":"N\u00famero de v\u00edtimas de feminic\u00eddio cresce em 38% no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O Brasil registrou 6.904 v\u00edtimas de casos consumados e tentados de feminic\u00eddio em 2025, o que representa um aumento de 34% em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2024, quando houve 5.150 v\u00edtimas. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, totalizando quase seis (5,89) mulheres mortas por dia no pa\u00eds<\/strong>.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1680244&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1680244&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Os dados s\u00e3o do Relat\u00f3rio Anual de Feminic\u00eddios no Brasil 2025, elaborado pelo Laborat\u00f3rio de Estudos de Feminic\u00eddios da Universidade Estadual de Londrina (Lesfem\/UEL), que tr\u00e1s tamb\u00e9m o perfil das v\u00edtimas e dos agressores.<\/p>\n\n\n\n<p>O levantamento supera em 38,8%, ou seja, em mais de 600, o n\u00famero de v\u00edtimas de feminic\u00eddio divulgados pelo Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica (MJSP), por meio do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es de Seguran\u00e7a P\u00fablica (Sinesp).&nbsp;<strong>Os dados que constam no sistema s\u00e3o informados pelos estados. Segundo a \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o, no m\u00eas passado, foram 1.548 mulheres mortas por feminic\u00eddio em 2025.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A pesquisadora do Lesfem, Daiane Bertasso, integrante da equipe que elabora o relat\u00f3rio, explicou que a subnotifica\u00e7\u00e3o dos casos de viol\u00eancia contra a mulher se reflete nessa diferen\u00e7a entre os dados. Tanto a aus\u00eancia de den\u00fancias quanto a falta de tipifica\u00e7\u00e3o dos crimes no momento do registro contribuem para essa subnotifica\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u201cMesmo os nossos dados sendo acima dos dados da seguran\u00e7a p\u00fablica [Sinesp], a gente acredita que h\u00e1 ainda subnotifica\u00e7\u00e3o. Porque nem todo o crime de feminic\u00eddio \u00e9 noticiado, divulgado nas m\u00eddias. Pelas nossas experi\u00eancias e pesquisas, a gente acredita que esse registro ainda \u00e9 inferior \u00e0 realidade, infelizmente\u201d, disse Daiane.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Na metodologia adotada para o relat\u00f3rio, h\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o de contradados a partir do Monitor de Feminic\u00eddios no Brasil (MFB), do pr\u00f3prio Lesfem, respons\u00e1vel pelo monitoramento di\u00e1rio de fontes n\u00e3o estatais que tratam sobre as mortes violentas intencionais de mulheres, como&nbsp;<em>sites<\/em>&nbsp;de not\u00edcias. Al\u00e9m do tratamento quantitativo e qualitativo desses dados, h\u00e1 cotejamento com os registros oficiais.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u201cAs pesquisadoras que fazem esses registros sobre os casos, que leem nas not\u00edcias, elas t\u00eam um olhar mais acurado para identificar quando \u00e9 uma tentativa de feminic\u00eddio. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos registros da seguran\u00e7a p\u00fablica, por exemplo, nem todos os munic\u00edpios e estados t\u00eam um investimento numa forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica dos profissionais para identificar esse tipo de crime\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Fonte Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Foto T\u00e2nia Rego<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A an\u00e1lise do Lesfem aponta que, entre os quase 7 mil casos consumados e tentados de feminic\u00eddio, predomina o crime no \u00e2mbito \u00edntimo (75%),<\/strong>&nbsp;que s\u00e3o os casos em que o agressor faz ou fez parte de seu c\u00edrculo de intimidade, como companheiros, ex-companheiros ou a pessoa com quem a v\u00edtima tem filhos.&nbsp;<strong>A maioria das mulheres foi morta ou agredida na pr\u00f3pria casa (38%) ou na resid\u00eancia do casal (21%).<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A maior parte das v\u00edtimas (30%) estava na faixa et\u00e1ria dos 25 a 34 anos, com uma mediana de 33 anos. Ao menos 22% das mulheres, no total, realizaram den\u00fancias contra os agressores anteriormente ao feminic\u00eddio.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A parcela de 69% das v\u00edtimas, com dados conhecidos, tinha filhos ou dependentes. Segundo o levantamento, 101 v\u00edtimas estavam gr\u00e1vidas no momento da viol\u00eancia, e 1.653 crian\u00e7as foram deixadas \u00f3rf\u00e3s pela a\u00e7\u00e3o dos criminosos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao perfil do agressor, a idade m\u00e9dia \u00e9 36 anos. A maioria agiu individualmente, com 94% dos feminic\u00eddios cometidos por uma \u00fanica pessoa, ante 5% praticados por m\u00faltiplas.&nbsp;<strong>Sobre o meio utilizado, quase metade (48%) dos crimes foi cometida com arma branca, como faca, foice ou canivete.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Foi registrada a morte do suspeito ap\u00f3s o feminic\u00eddio em 7,91% dos casos com dados conhecidos, sendo que a maioria decorreu de suic\u00eddio.&nbsp;<strong>A pris\u00e3o do suspeito foi confirmada em ao menos 67% das ocorr\u00eancias com informa\u00e7\u00f5es conhecidas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Viol\u00eancia negligenciada<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisadora, diversas s\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es que fazem com que o ciclo de viol\u00eancia sofrido por mulheres seja negligenciado e, ent\u00e3o, o crime de feminic\u00eddio aconte\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u201cO&nbsp;<a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2026-02\/estado-de-sao-paulo-tem-aumento-de-feminicidios-em-janeiro-deste-ano\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">feminic\u00eddio n\u00e3o \u00e9 um crime inesperado<\/a>. \u00c9 um crime que resulta de rela\u00e7\u00f5es familiares e \u00edntimas. E ele se d\u00e1 depois de um ciclo de viol\u00eancias de v\u00e1rios tipos\u201d, disse.&nbsp;<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela acrescenta que o machismo, a misoginia e uma sociedade voltada para os valores masculinos contribuem para que as pessoas ignorem os sinais de viol\u00eancia que precedem os feminic\u00eddios.&nbsp;<strong>Casos recentes de feminic\u00eddio que tiveram destaque na imprensa recentemente demonstram que, mesmo mulheres com medida protetiva contra seus agressores, n\u00e3o receberam efetivamente a prote\u00e7\u00e3o do estado e acabaram mortas por eles.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A masculinidade t\u00f3xica \u00e9 mais um elemento que gera viol\u00eancia contra as mulheres no pa\u00eds.&nbsp;<\/strong>Segundo Daiane, pesquisadora do&nbsp;Lesfem\/UEL que estuda a chamada machosfera t\u00eam percebido que tais redes t\u00eam fortalecido ideais machistas e mis\u00f3ginos, inclusive influenciando jovens e crian\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil registrou 6.904 v\u00edtimas de casos consumados e tentados de feminic\u00eddio em 2025, o que representa um aumento de 34% em rela\u00e7\u00e3o ao ano de 2024, quando houve 5.150 v\u00edtimas. Foram 4.755 tentativas e 2.149 assassinatos, totalizando quase seis (5,89) mulheres mortas por dia no pa\u00eds. Os dados s\u00e3o do Relat\u00f3rio Anual de Feminic\u00eddios &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":8378,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[31],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8377"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8377"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8377\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8379,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8377\/revisions\/8379"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8378"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}