{"id":8395,"date":"2026-03-04T22:09:40","date_gmt":"2026-03-04T22:09:40","guid":{"rendered":"https:\/\/revisaonews.com.br\/?p=8395"},"modified":"2026-03-04T22:09:41","modified_gmt":"2026-03-04T22:09:41","slug":"estudo-aponta-que-90-dos-cuidadores-informais-no-brasil-sao-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revisaonews.com.br\/?p=8395","title":{"rendered":"Estudo aponta que 90% dos cuidadores informais no Brasil s\u00e3o mulheres"},"content":{"rendered":"\n<p>As mulheres dedicam, em m\u00e9dia, 9,6 horas semanais a mais do que os homens em tarefas dom\u00e9sticas e cuidados, o que representa mais de mil horas dedicadas com o outro &#8211; filho, marido, pais &#8211; mas n\u00e3o remunerado e invis\u00edvel socialmente, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<br>Anualmente, s\u00e3o mais de mil horas dedicadas a um trabalho fundamental para a sociedade, que \u00e9 o cuidado com o outro &#8211; filho, marido ou pais -, um trabalho n\u00e3o remunerado e invis\u00edvel socialmente.<br>Estudo conduzido por pesquisadoras da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUCPR) revela que 90% dos cuidadores informais no Brasil s\u00e3o mulheres, principalmente filhas, c\u00f4njuges e netas, com m\u00e9dia de idade de 48 anos. O fen\u00f4meno ocorre no mundo inteiro.<br>Mulheres e meninas s\u00e3o as mais afetadas na vida profissional e nos estudos, por conta dos cuidados, segundo a pesquisadora Valquiria Elita Renk, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Direitos Humanos e Pol\u00edticas P\u00fablicas da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Paran\u00e1 (PUCPR), uma das autoras do trabalho.<br>\u201cUma mulher para de estudar para cuidar dos irm\u00e3os, dos trabalhos dom\u00e9sticos. Faz isso todos os dias e, quando termina, recome\u00e7a no dia seguinte. \u00c9 um trabalho que n\u00e3o tem fim, diz Valquiria.&#8221;<br>Para a pesquisadora, o trabalho do cuidado tem forte cunho cultural no Brasil.<br>Pol\u00edticas p\u00fablicas<br>Alguns pa\u00edses, por\u00e9m, j\u00e1 t\u00eam pol\u00edticas de apoio aos cuidadores.<br>Na Finl\u00e2ndia e na Dinamarca, por exemplo, os assistentes dom\u00e9sticos e de servi\u00e7os s\u00e3o pagos pela municipalidade.<br>Na Fran\u00e7a, \u00c1ustria, Alemanha e Holanda tamb\u00e9m h\u00e1 custeio a alguns servi\u00e7os feitos por assistentes.<br>No Reino Unido e na Irlanda, o Estado compensa a perda da renda durante o per\u00edodo em que a pessoa presta assist\u00eancia a um familiar.<br>Na Espanha, existe a Lei de Promo\u00e7\u00e3o da Autonomia Pessoal e Aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pessoas em situa\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia, que inclui a compensa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica para os cuidadores familiares.<br>\u201cNo Brasil, a coisa est\u00e1 muito t\u00edmida ainda. N\u00f3s temos a Pol\u00edtica Nacional do Cuidado, institu\u00edda no final de 2024, que est\u00e1 sendo ainda implementada.\u201d<br>A professora defende que muito mais do que s\u00f3 pagar pelo trabalho das mulheres, \u00e9 preciso que isso seja reconhecido socialmente e que as cuidadoras recebam uma compensa\u00e7\u00e3o financeira para que n\u00e3o tenham toda essa sobrecarga de trabalho.<br>Valquiria chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que, no cuidado com o filho ou um idoso, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 chegar l\u00e1 e ministrar o rem\u00e9dio, a comida, a higieniza\u00e7\u00e3o. Tem toda uma rela\u00e7\u00e3o afetiva que se forma em torno dessas pessoas. O ideal seria que o cuidado fosse reconhecido como um trabalho, e a pessoa pudesse contar com esse per\u00edodo para a aposentadoria.<br>Na Am\u00e9rica do Sul, o Uruguai j\u00e1 possui lei que permite \u00e0 mulher se aposentar mais cedo, de acordo com um n\u00famero limite de filhos.<br>Segundo a pesquisadora, trata-se de um trabalho invis\u00edvel que ningu\u00e9m quer fazer e as mulheres fazem no sil\u00eancio, na casa delas.<br>\u201cComo mulher, a gente vai fazendo, internaliza tanto isso que passa a fazer parte da nossa vida. As donas de casa n\u00e3o deixam de ser tamb\u00e9m cuidadoras, porque cuidam para que os filhos tenham sa\u00fade, sejam bem alimentados, que o marido tamb\u00e9m tenha alimenta\u00e7\u00e3o, que a roupa dele esteja limpa para ele ir para o trabalho.&#8221;<br>O trabalho do cuidado \u00e9 fundamental para a sociedade, porque ele mant\u00e9m a engrenagem funcionando.<br>Internaliza\u00e7\u00e3o<br>A metodologia da pesquisa incluiu a realiza\u00e7\u00e3o de 18 entrevistas com mulheres de \u00e1reas urbanas e rurais do Paran\u00e1 e de Santa Catarina, respons\u00e1veis pelo cuidado de familiares idosos, doentes ou com defici\u00eancia.<br>As conclus\u00f5es revelam que essas mulheres s\u00e3o idosas, dedicam o tempo do descanso e do lazer para cuidar do marido ou dos filhos.<br>Quando perguntadas por que faziam isso, respondiam \u201cporque \u00e9 minha obriga\u00e7\u00e3o\u201d.<br>Na rela\u00e7\u00e3o de parentesco das participantes com a pessoa cuidada, percebe-se que a maioria s\u00e3o filhas (68%), esposas (21%), neta e irm\u00e3 (5%). O perfil et\u00e1rio \u00e9 de adultas com idades de 41 a 60 anos (43%), idosas com mais de 60 anos (37%) e jovens adultas com idade entre 21 a 30 anos (22%).<br>S\u00e3o mulheres escolarizadas, sendo que a maioria (58%) cursou o ensino fundamental, seguido das que t\u00eam o curso superior (30%) e ensino m\u00e9dio (11%).<br>Em termos de profiss\u00f5es, observou-se diversidade: 32% s\u00e3o agricultoras, 26% atuam no mercado de trabalho formal (como funcion\u00e1ria p\u00fablica, administradora, cabeleireira, entre outras), 26% s\u00e3o aposentadas, 11% s\u00e3o do lar e 5% s\u00e3o estudantes. Deste total, a maioria (61%) afirmou que parou de trabalhar para cuidar do familiar em tempo integral,o que ocorreu com todas as agricultoras.<br>O estudo mostrou ainda que as mulheres sentem cansa\u00e7o \u201cporque o cuidado \u00e9 full time (o tempo todo), \u00e0s vezes 24 horas por dia. Essas mulheres sentem cansa\u00e7o, solid\u00e3o, se sentem desamparadas, n\u00e3o recebem bonifica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o t\u00eam previd\u00eancia. A fam\u00edlia nem sempre colabora\u201d.<br>S\u00e3o mulheres sozinhas, cansadas, exaustas, depressivas. \u201cE elas n\u00e3o t\u00eam tempo para se cuidar porque o tempo delas \u00e9 dedicado primeiro para os outros, depois para elas. Essa \u00e9 a \u00e9tica da responsabilidade, que internaliza que a mulher tem que cuidar do outro.\u201d<br>Educa\u00e7\u00e3o<br>O trabalho do cuidador \u00e9 fundamental, porque mant\u00e9m toda a engrenagem funcionando, mas \u00e9 t\u00e3o naturalizado que a responsabilidade acaba recaindo sempre somente sobre as mulheres, diz a pesquisadora.<br>O estudo sinaliza que, ao contr\u00e1rio, \u00e9 preciso que haja um esfor\u00e7o no sentido de educar meninas e meninos de que o trabalho dom\u00e9stico tem que ser mais igualmente dividido dentro das casas, nas fam\u00edlias, porque essa ser\u00e1 a gera\u00e7\u00e3o do futuro.<br>\u201cOs meninos tamb\u00e9m t\u00eam responsabilidade, tanto como as meninas. \u00c9 preciso ver a educa\u00e7\u00e3o como um processo humanit\u00e1rio e uma mudan\u00e7a cultural muito grande, no sentido de que a sociedade, as fam\u00edlias, se responsabilizem para que n\u00e3o recaia s\u00f3 sobre as mulheres o cuidar exaustivo\u201d.<br>De acordo com a pesquisa, a sobrecarga recai mais gravemente sobre a chamada \u201cGera\u00e7\u00e3o Sandu\u00edche\u201d, que engloba mulheres que administram simultaneamente o trabalho formal, a gest\u00e3o da casa e o cuidado com filhos, marido e os idosos.<br>\u201cS\u00e3o duas jornadas de quase cinco horas cada. Onde essa mulher vai se ancorar?\u201d, indagou a pesquisadora.<br>Segundo ela, em poucos casos recentes de separa\u00e7\u00e3o e div\u00f3rcio no Brasil, os ju\u00edzes j\u00e1 est\u00e3o concedendo que os maridos paguem pelo tempo que as ex-mulheres tenham cuidado dos filhos ou que v\u00e3o cuidar.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Fonte Ag\u00eancia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Foto Framer TV<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As mulheres dedicam, em m\u00e9dia, 9,6 horas semanais a mais do que os homens em tarefas dom\u00e9sticas e cuidados, o que representa mais de mil horas dedicadas com o outro &#8211; filho, marido, pais &#8211; mas n\u00e3o remunerado e invis\u00edvel socialmente, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios de 2022, do Instituto Brasileiro de &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":8396,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[31],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8395"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8395"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8395\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":8397,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8395\/revisions\/8397"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8396"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8395"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8395"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revisaonews.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8395"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}